terça-feira, 27 de março de 2012

O eterno de ti
A estrada a pedra e o tempo
O choro de menino
A batalha vencida
O canto ferido
O gozo e o gemido
O eterno de ti!
A maneira de ser humano
A crença que resistiu purificada
O orvalho regando o verso
O amor que aprendeu  ser inteiro.
Deixando fragmentos de aurora ardendo pelo caminho
Isto é o eterno de ti!!!
JANE FREITAS

MARIAS, O MISTÉRIO DA VIDA!

Maria das Dores
Maria das Graças
Mulheres de todas as dores
Mulheres de todas as graças
Musas e veras
Sangra  e fecunda .
Da à luz e afaga
Amadas ou amordaçadas
Em constante mourejar
E ainda vivaz!
Mistério da vida
De mãos pungente
Riem, que ainda
Vincadas pela preocupação
Choram com os lábios feito
Um sorriso de primavera.
Marias de todas as raças
Marias de todas as cores
Mulheres  feitas de pedra
Mulheres feitas de flores
Mulheres feito borboletas
Mulheres subjugadas
Que ainda vestem a mortalha
Em nome do amor escarniado.
Mulheres mistério da vida
Mulheres marias
De todas as flores
De todas sempre-vivas
De todos malmequeres
Sempre mulheres...
Jane Freitas.

sexta-feira, 23 de março de 2012

SAUDADES mãe!

A saudade está aqui
Séria e triste.
Só falta o manto negro
Que não lhe ponho.
Pois a prefiro orvalhada de lágrimas.
Minhas preces estão subindo a teu encontro
Aproveito este momento de saudade
E te evoco inteira.
Vejo nossa casa reflorir com tua presença,
Te vejo na paisagem, no barulho da vida.
Mas sem a certeza do encontro
 E sem  o perfume dos vivos.
E isto doi mais que a saudade.
É por isto que neste momento de lembranças
Prefiro a orvalhada de lágrimas.
Porque não saberei quando ela voltará,
Assim com tanta plenitude!!
SAUDADES!!
JANE FREITAS

MEUS MORTOS!

Caiu a última  gota de orvalho.
A planta viva foi arrancada do meu corpo
E lançada no leito da terra.
Sou fruto das raizes..
Calou-se o último grito na garganta.
Emudecendo as dores pungentes.
Lábios trêmulos, envelhecidos
Fecharam-se lentamente
A porta do meu coração.
Fios de ilusões perderam-se pela estrada,
Pedaços de sonhos velhos se despediram em vão.
Desaparecendo com a poeira amarela da solidão.
Gotas de fel espalharam pelo céu da minha boca.
E qualquer céu é tristeza e castigo.
Não há música para meus ouvidos
Desconheço a doçura dos seios das flores.
Meus mortos ! Aqui estou.
Só a morte compreende
A alma de pranto oceânico.
O corpo abraçado no próprio corpo.
Agarrado ás paredes do meu universo..
Meus mortos!
Não verás os dias cinzentos,
Não ouvirás meus soluços cortando minha alma
Em desespero vos clamando..
POR QUE FOSTES??
MÃE..
Não sou o fruto do teu ventre.
Não tenho os traços teus.
E nunca compreendi ,
O porque de teus segredos.
Que foram a agonia dos dias meus.
Hoje reavivo minha memória
Vendo as marcas,e as cicatrizes..
Que eu e você carregamos..
De nossa história..
Agora...
 Em teus olhos de tristeza..
Vejo a chama da tua vida sendo apagada
Mas eu te contemplo avidamente..
Procuro as tuas rugas mais tristes,
Sei que nelas me encontrarei.
Hoje minha mãe,
Tenho a compreensão de mãe,
E a ternura de filha.
Hoje minha mãe..
O que importa! Não ser fruto do teu ventre.
Mas o fruto de tua alma.
Colhido por tuas mãos.
Que arduamente, incansadamente..
Me ensinastes  com o coração..
Os sentimentos mais sublimes da vida
O amor e o perdão...
ANA CÂNDIDA DE BARCELOS:(09/12/1923 -10/02/2011)
IDES JACINTO DE BARCELOS 20-03-1923/31-07-2010)
PAI!
Sou a filha que você amou
Sou o filho que você desejou.
Rememoro hoje o passado inteiro
Quando galopava a seu lado
O vento destrançando meus cabelos.
Você com o laço apartando o gado.
Ouço a melodia do riacho
Que me conheceu pequenina.
Sinto a brisa suave do milharal,
Essa saudade! tem mais perfume
Que as flores de um cafezal!.
Pai..Reverencio-o sua humildade
Sua natural timidez,
Seu sotaque simples
Seu estilo de autentico matuto
Reverencio-o, suas mãos
Calejadas pelo trabalho rude.
E na plenitude do seu rosto
Vejo sua resignação.
Bem que eu quisera Meu Pai!
Que o relógio burlasse o tempo.
Para mais uma vez,
ouvir seus passos pela casa.
E com silêncio respeitoso
Apenas te contemplar.!

Janildes.